quinta-feira, 26 de abril de 2012

DOC: "Tudo OK. Os Índios Pataxó Hã-Hã-Hãe e o desenvolvimento rural"



SINOPSE: A “Reserva Indígena Caramuru-Paraguaçu” foi estabelecida nos anos trinta do século passado pelo SPI (Serviço de Proteção aos Índios), numa área reservada por lei para os índios da região pelo Estados da Bahia já em 1926. Porém, com a expansão da frente cacaueira e agropecuária, o território da Reserva pouco a pouco foi invadido por fazendeiros, confinando os índios a um espaço cada vez menor para a sua sobrevivência. Quando no inicio dos anos 80 a comunidade indígena Pataxó Hã-Hã-Hãe, com a ajuda da FUNAI e da Polícia Federal, começou a reconquistar as suas terras, todo mundo dizia que a volta dos índios resultaria na falência da economia da região. Fomos a Pau Brasil, cidade vizinha da Reserva, para falar com os comerciantes e empresários locais. Será que é verdade que os índios Pataxó Hã-Hã-Hãe são um empecilho ao desenvolvimento?

Fonte: https://vimeo.com/cineindigena


sábado, 19 de novembro de 2011

Lançamento do livro A Presença Indígena no Nordeste: processos de territorialização, modos de reconhecimento e regimes de memória.

Lançamento do livro A Presença Indígena no Nordeste: processos de territorialização, modos de reconhecimento e regimes de memória.

João Pacheco de Oliveira (Organizador).

Editora Contra Capa. Rio de Janeiro-RJ, 2011. 714 pág.
Dia 22 de novembro de 2011, a partir das 15 hs, na Fundação Joaquim Nabuco, Recife - Pernambuco.

Mesa Redonda: História Indígena no Nordeste
Debate com os autores

Coordenação: João Pacheco de Oliveira (MN/UFRJ)

Expositores:

 Cristina Pompa (USP)
 Edwin Reesink (UFPE)
 Edson Silva (CE-UFPE)
.Estevão Palitot (UFPB)
 Isabelle Braz Peixoto da Silva (UFC)
.Juciene Ricarte Apolinário (UFCG)
 Maria Rosário de Carvalho (UFBA)
.Marcondes Secundino (FUNDAJ)
.Marcos Galindo (UFPE)
. Ricardo Pìnto (UFPE)
.Rodrigo Grunewald (UFCG)

sábado, 17 de setembro de 2011

Convite para o Lançamento do livro 'Índios e Caboclos: a história recontada'


Sobre a coletânea:

por Carlos Etchevarne

Com a organização desta coletânea de artigos, as antropólogas Maria Rosário de Carvalho e Ana Magda Carvalho atendem à necessidade imperativa de se conhecer o atual panorama etnográfico associado aos povos indígenas do Nordeste do Brasil, que, superando a sua dramática trajetória histórica, emergem no século XX fortalecidos por elaboradas construções identitárias.

Nos dois corpos temáticos em que foram agrupados os textos constatam-se abordagens inovadoras e reflexões aguçadas que, em alguns casos, se contrapõem às clássicas posições teóricas acerca dos grupos indígenas nordestinos. Para demonstrar esses novos caminhos utilizaram-se como personagens norteadores o índio e o caboclo, da forma como o próprio título do livro assim o anuncia.

Trazer a público o estado da arte sobre um tema candente para a antropologia brasileira e, em particular, para a baiana, como são as questões vinculadas ao índio e ao caboclo, não poderia deixar de incorporar as formas de representação no imaginário popular brasileiro e, sobretudo, nos complexos universos religiosos dos próprios grupos indígenas e dos de origem africana. Nesse sentido, o pensamento que transparece em toda a obra é que ao longo da história não houve limites intransponíveis entre um e outro e que, pelo contrário, os aportes foram mútuos e decisivos, ao ponto em que hoje são reconhecidos e respeitados pelos próprios atores sociais.

***

- Maria Rosário de Carvalho é professora associada ao Departamento de Antropologia e Etnologia da UFBA e coordena o Programa de Pesquisa Povos Indígenas do Nordeste Brasileiro (PINEB/UFBA). 
- Ana Magda Carvalho é doutoranda em Antropologia no Programa de Pós-Graduação da UFBA e, também, é pesquisadora associada ao PINEB/UFBA. Além de artigos das organizadoras, Índios e Caboclos também traz artigos de outros pesquisadores e professores desta área. 

Informações adicionais sobre o livro
IBSN: 978-85-232-0764-9
Número de páginas: 270
Formato: 17 x 24 cm
Ano: 2011
Preço especial de lançamento: R$ 28,00

Serviço
O quê: Lançamento Coletivo EDUFBA – Setembro de 2011
Quando: 20 de setembro de 2011, terça-feira, às 17h30
Onde: Antessala do Reitor (Reitoria da UFBA, Canela – Salvador, Bahia)
Quanto: entrada gratuita

terça-feira, 31 de maio de 2011

NEGROS NO MUNDO DOS ÍNDIOS: IMAGENS, REFLEXOS E ALTERIDADES

CONVITE

A editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (EDUFRN), o grupo de pesquisa Cultura, Identidade e Representações Simbólicas – CIRS, o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social – UFRN e a base de pesquisa CASO-IFRN estão convidado para o lançamento do livro:

NEGROS NO MUNDO DOS ÍNDIOS: IMAGENS, REFLEXOS E ALTERIDADES, organizado pelos professores Maria Rosário de Carvalho, Edwin Reesink e Julie Cavignac e publicado pela Editora da UFRN (EDUFRN).

O lançamento acontecerá dia 31 de maio durante o Seminário Povos Indígenas: Identidade Étnica e Diversidade Cultural, após a Conferência de Abertura (18H00), ministrada pela Profª Drª Maria Rosário de Carvalho, no Miniauditório do IFRN.


quinta-feira, 19 de maio de 2011

Entrevista com América Cesar, autora do livro 'Lições de Abril'.

Em clima de lançamento do livro Lições de Abril: a construção de autoria entre os Pataxó de Coroa Vermelha, o Espaço do Autor traz uma entrevista exclusiva com a autora América Cesar. Professora do Instituto de Letras da Universidade Federal da Bahia desde 1994, onde graduou-se e obteve o título de mestrado, América Cesar é Doutora em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas. Trabalha com pesquisas na área de linguística, cultura e educação. Atualmente, desenvolve atividades para o magistério indígena e coordena o núcleo local do Observatório Escolar Indígena (CAPES/ INEP/ SECAD). Confira aqui a entrevista:

Por Laryne Nascimento



29 de abril de 2011



1 - Como surgiu a ideia de realizar o trabalho de pesquisa que deu origem ao livro Lições de Abril: a construção de autoria entre os Pataxó de Coroa Vermelha ?



O eixo da pesquisa é consequência de trabalho antigo na área ambiental, mais precisamente no início da década de 90, no movimento de defesa do São Bartolomeu, uma reserva de mata atlântica na região metropolitana de Salvador, de fundamental importância para algumas religiões tradicionais de matriz africana. A compreensão do estudo da linguagem implicado com a importância das águas e das matas para a sobrevivência da diversidade sociocultural e linguística do entorno, me levou a provocar e refletir sobre a construção do texto escrito de professoras das escolas públicas do subúrbio ferroviário, que participavam do Programa Memorial Pirajá .

Posteriormente, em 1997, continuei a olhar essa mesma construção de autoria, mas agora já no processo de formação dos professores indígenas no primeiro curso de magistério indígena na Bahia. Como era professora de língua portuguesa no referido curso, resolvi fazer minha pesquisa de doutorado com o letramento do professor (a) indígena, no Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Unicamp, que tem um grupo de pesquisa pioneiro, direcionado para a  formação do professor indígena.

Daí para Coroa Vermelha, explico no livro, foi o trabalho se fazendo já meio fora de controle das minhas intenções iniciais. O livro é a publicação da tese, que foi defendida em 2002.



2 - Qual foi o momento que mais lhe impressionou durante todo o trabalho de pesquisa realizado na Aldeia de Coroa Vermelha?



Realmente foi a repressão absurda que foi feita pelo governo de então contra os diversos atores que se mobilizaram no chamado Brasil Outros 500 , ou Movimento de Resistência Indígena, Negra e Popular . E, embora os acontecimentos de abril não tenham sido o foco do meu trabalho, terminaram ganhando uma dimensão maior do que a que eu esperava, justamente pela violência das ações geradas nas mais diversas esferas.

Como eu era uma pesquisadora que estava morando na área naquele período, não pude deixar de observar e de me afetar por aqueles acontecimentos, mudando o meu percurso de pesquisa.



3 - Durante o processo de pesquisa para a composição do livro, a senhora enfrentou alguma dificuldade?



A pior de todas foi conviver e compartilhar com os indígenas do clima de tensão gerado pela repressão policial que se acirrou significativamente à medida que se aproximava o 22 de abril, data emblemática no projeto comemorativo oficial, e depois, o 26 de abril, dia também emblemático para a igreja católica, com o evento da missa dos 500 anos de evangelização do Brasil. Depois, foi decidir o que deveria dizer.



4 - Em sua opinião, de que modo esta obra auxilia na discussão sobre a atual situação dos povos indígenas no Brasil?



Bom, na análise dos acontecimentos, pude teorizar sobre o processo que chamo de "construção de autoria/autonomia", que na verdade é uma reinterpretação do que se poderia chamar "resistência Pataxó". Essa construção teórica é fruto da tentativa de compreender como os sujeitos subalternizados, historicamente oprimidos, como diria Paulo Freire, conseguem "tomar a palavra" e se autorizar como produtores de discursos ( e aí inclua a própria autora). Na análise dos acontecimentos de abril, procurei demonstrar como os Pataxó se apropriaram dos acontecimentos e os assimilaram dentro de uma lógica própria, que muitas vezes escapava aos esquemas previsíveis na ordem do discurso dominante, seja o do governo, seja o da igreja, seja o do próprio movimento de resistência organizado em torno do Brasil Outros 500 . Na verdade, os acontecimentos de abril são só o mote para analisar alguns mecanismos dessa "construção de autoria/autonomia". Acho que dá uma idéia da diversidade de posições e expõe a complexidade das relações interétnicas, inclusive dentro da própria comunidade indígena. Se o que digo no livro fizer refletir sobre essa complexidade e contribuir para posições menos assimétricas entre índios e não-índios, ficarei muito feliz.



5 - Como a senhora avaliaria a produção literária acerca da situação dos povos indígenas nos dias atuais?



A produção literária acerca da situação dos povos indígenas ainda é muito pouca para a importância histórica e diversidade dos povos indígenas, só para ficar no Brasil. Mas, felizmente, os próprios indígenas se apropriam hoje dos mais diversos instrumentos e conquistam cada vez mais espaços no sentido de serem ( eles e elas) os autores dos seus textos, das suas ciências e da sua História, criando explicitando, documentando, teorizando epistemologias e referências próprias. Só para dar um exemplo, a propósito, no ano de 2007, os professores e professoras Pataxó lançaram um livro cujo título é "Pataxó: uma história de resistência" em que eles contam a História do povo Pataxó, inclusive esses acontecimentos de abril, sob a sua ótica. Infelizmente, a tiragem foi muito limitada e esse livro só circulou, praticamente, nas comunidades indígenas. Infelizmente, os instrumentos burocráticos para a concessão de recursos para publicação dificultam, quando não impedem, a divulgação da produção intelectual indígena. Está na hora de as editoras das universidades prestarem atenção para a produção literária de autoria indígena, principalmente essa produção dos professores e demais intelectuais indígenas nas escolas e nas universidades.



6 - Após o lançamento deste livro, Lições de Abril , há planos para publicação de outras obras de sua autoria?



Gostei do que disse uma colega: a publicação do livro é apenas o trabalho de uma professora de escola pública prestando contas ao público. Mas, por enquanto, acho que dá para descansar um pouquinho, antes de outra prestação de contas.



7 - Deixe uma mensagem para os leitores da EDUFBA.



Se tem uma coisa que me angustia é ver a durabilidade, a capacidade de perpetuação do racismo, do sexismo, da homofobia, dentre outras formas de opressão. Por isso seria muito bom se cada gesto nosso diariamente pudesse realmente contribuir para explicitar, desmistificar, enfrentar, acabar de vez com essas e outras formas de degradação da dignidade humana. É muito utópico, mas utopia faz falta.

Fonte: http://www.edufba.ufba.br/2011/04/america-cesar/